Na Ausência de Pressa,
Ouve-se Melhor a Voz da Alma
 
 
Carlos Cardoso Aveline
 
 
 
 
 
Quando você se volta demasiado para uma coisa, outras coisas ficam de lado.”
 
A afirmativa parece extremamente óbvia, quando vista de modo rápido e superficial. É claro que se eu priorizo algo, esqueço outros assuntos. Porém, administrar este fato na vida diária não é apenas complicado. Requer o uso de toda sabedoria que tenhamos e de mais alguma intuição estratégica que possamos obter.
 
Há pelo menos dois motivos básicos pelos quais um conhecimento profundo da vida é importante para administrar nossas prioridades pessoais.
 
Os Fatores Auxiliares
 
Em primeiro lugar, ao escolher uma prioridade determinada eu estou contando com a presença de certos fatores auxiliares indispensáveis, que me permitem agir do modo desejado. Se eu descuidar desses elementos auxiliares, considerando que são “secundários”, as condições necessárias para buscar a prioridade podem desaparecer sem aviso prévio. Para evitar isso, a prioridade definida precisa ser buscada com moderação. O peregrino sensato preserva a compreensão do contexto mais amplo.
 
Quando permaneço vigilante em relação ao todo, as falsas urgências do chamado “momento presente” não apagam em minha consciência o sentido de orientação mais profundo e verdadeiro. Devo olhar a prioridade central mantendo a visão de conjunto tanto em relação ao espaço como em relação ao tempo.
 
A Renovação Constante
 
Em segundo lugar, minhas prioridades externas e visíveis não podem ser facilmente reduzidas a uma só meta fixa. Digamos que a meta central seja a sabedoria eterna. Todos os que alguma vez tentaram com seriedade trilhar o Caminho espiritual sabem que ele é internamente Um e sempre o mesmo. Porém, externamente a sua configuração se altera a cada passo real que damos à frente.
 
As oportunidades que temos e as armadilhas que enfrentamos mudam todos os dias no seu aspecto visível. Também neste segundo ponto a vigilância, a atenção e a compreensão dos acontecimentos são mais importantes do que a mera intensidade do esforço feito.
 
O que possibilita a atenção e a vigilância é precisamente o ritmo moderado e estável do trabalho.
 
A lentidão excessiva leva à rotina e ao acomodamento. Portanto, quando se fala em moderação, é preciso lembrar que isso inclui uma visão dos riscos e dos perigos envolvidos no esforço, sendo um deles o excesso de conforto, e outro o excesso de desafios. Deve haver um equilíbrio entre elementos estáveis e elementos instáveis.
 
A moderação permite ouvir a voz da alma, localizada acima da consciência verbal. Haverá momentos em que preciso usar todas as minhas forças. Em outros, repousarei mais. Em certas fases deverei ganhar tempo, em outras, precisarei aproveitar o tempo ao máximo. Na média, a moderação é tão importante quanto a disposição para um esforço total. O tempo agradável e a chuva tempestuosa são ambos necessários.
 
O olhar do eu superior vê o todo e harmoniza as partes, combinando corretamente a ambição e a humildade, a coragem e a cautela, o compromisso com a meta e a capacidade de renunciar.
 
A moderação torna mais fácil observar os erros, lembrar do ideal, corrigir as falhas, revisar as metas, renovar as energias,  e manter o bom senso.
 
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Veja aqui um vídeo que reproduz o texto acima:
 
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