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Boletim O TEOSOFISTA, Janeiro 2008

 
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O Teosofista
Notas e Informações Sobre  Teosofia e o Movimento Esotérico   
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      Número 08  --  Janeiro de 2008 -- Lutbr@yahoo.com.br
 
O Boletim Mensal do Website  www.filosofiaesoterica.com 
 
 
“Uma mente aberta, um intelecto ardente, sem medo ou dúvidas, é a clara percepção espiritual.”
[ Robert Crosbie, em “The Friendly Philosopher”, Theosophy Co., Los Angeles,  416 pp., 1946, p. 100.]
                                                                                             
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Como Começar Melhor o Dia, a Cada Manhã?  
 
Somos aconselhados a começar cada dia pensando em Grandes Seres e nas virtudes que eles personificaram. Eles são chamados de “Pratah Smaraniya”, ou “aqueles que devem ser lembrados a cada manhã”. Podemos pensar em  Buddha, Jesus, Krishna, nos Mahatmas, em Sábios e Visionários; e podemos acrescentar a esta lista os nomes de grandes teosofistas como H. P. Blavatsky e W. Q. Judge.
 
Embora nós façamos contato quase todos os dias com o verdadeiro ser e as mentes deles através dos ensinamentos que deixaram, o ato de refletir sobre sua vida e seu trabalho nos inspira e nos estimula a seguir adiante, tornando mais vivas certas virtudes, como paciência, perseverança, capacidade de perdoar, devoção unidirecionada, compaixão, etc. – que de outro modo permaneceriam sendo abstrações vazias. 
 
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Trechos iniciais do artigo “W.Q.J. - Greatest of the Exiles”, publicado na revista “The Theosophical Movement”, Mumbai, Índia, Março de 2007, p. 163.
 
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A Busca da Verdade Necessita Mentes Adultas
 
Uma Carta Esclarecedora à Revista Teosófica “Fohat”
 
A revista teosófica independente do Canadá,  “Fohat”, tem abordado temas polêmicos,  especialmente desde 2004. Ela vem mostrando e discutindo os erros do movimento teosófico,  com o objetivo de fazer justiça ao lema do movimento não há religião ou crença mais elevada que a Verdade”.  
 
Na edição do inverno de 2007-2008 (verão de 2007-2008 no Brasil), “Fohat” publica uma carta ao Editor que merece ser  examinada pelos nossos leitores, devido à sua visão madura do movimento esotérico como um todo:
 
A Busca da Verdade
 
Escrevo para expressar minha gratidão aos editores de “Fohat” por sua busca aberta, transparente e coerente, da verdade sobre a história do movimento teosófico.   É para mim absurda a idéia de que alguma pessoa ou grupo cujo principal objetivo seja a busca da verdade queira estar acima de quaisquer críticas.  Deveria ser óbvio para qualquer teosofista que é necessário saber tomar decisões difíceis.  As escolhas difíceis são, por definição, confrontacionais. Elas questionam o “status quo”, e se isto faz com que alguém tome uma postura defensiva, então a pessoa deve re-examinar as suas motivações e os seus métodos.
 
Nossa meta, como teosofistas, é levar a humanidade para além da sua adolescência de busca de poder, para que alcance o florescimento da maturidade. E,  para fazer isso,  devemos ter uma visão de milhares ou milhões de anos à nossa frente. A autenticidade, como H.P. Blavatsky a define,  diz respeito à intenção correta e à ação correta em todas as situações que vivemos, e sem pensar em qualquer resultado; no entanto, a mentalidade adolescente precisa lembrar que a lei do carma está vigente.  É óbvio que as forças que preferem esconder a verdade e manipular os fatos para obter  as suas próprias metas colocam em movimento, deste modo, causas que irão dar a volta e atingi-las mais adiante ...  e isso não será um espetáculo bonito de se ver.  Considerando que o  ensinamento sobre a lei do Carma é central em todos os setores da tradição teosófica, é um mistério para mim saber de que modo alguém chega ao ponto de usar intencionalmente  dissimulação e mentiras para manipular mentes que não sabem que estão brincando com fogo, especialmente em questões espirituais.
 
Por isso digo a todos vocês em “Fohat”; permaneçam corajosos e sem medo; a verdade prevalecerá.
 
Peter Lakin,  St. John’s, NL.
 
 
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Visite o website www.theosophycanada.com ; em seguida, clique em Fohat e saiba mais sobre esta revista internacional independente, que é vinculada à Sociedade Teosófica de Edmonton.
 
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Para Quem Deseja Saber Quem é Quem no Movimento Esotérico:
 
 Teosofia Autêntica  x  Falsidade Organizada
 
Mahatma Comparou os Métodos das Lojas da Verdade e da Fraude
 
 
Estamos publicando nesta edição um documento sem par na literatura esotérica moderna. Trata-se da Carta 74 de “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett” (Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes).   
 
A carta, datada de 1882,  demonstra que um verdadeiro mestre espiritual não mantém uma imagem de falsa santidade.  Ao contrário. Ele não usa meias palavras. Ele coloca a franqueza muito acima do jogo de aparências. Ele denuncia  e explica os mecanismos emocionais da mentira organizada. 
 
Para entender  o documento a seguir, é útil levar em conta algumas referências sobre a luta dos mestres dos Himalaias,  dos seus discípulos e outras pessoas de boa vontade,  contra os sistemas ocidentais de manipulação coletiva, entre os quais se destacavam, até o final do século 19, o Vaticano e os jesuítas.  
 
O dicionário Aurélio da língua portuguesa, edição de 1999,  define a palavra “jesuíta” com duas acepções. A primeira é “membro da Cia. de Jesus”. A segunda é  “indivíduo dissimulado, astucioso, fingido, hipócrita”.  Para a palavra “jesuítico”, no mesmo dicionário, encontramos entre outros os significados “fanático” e “faccioso”.
 
Tradicionalmente, os jesuítas parecem ter tido dentro da sua ordem uma divisão que funcionava nos moldes de um  serviço secreto, operando através mentiras, fraudes e violência. Por este motivo, a ordem dos jesuítas foi fechada  e proibida, inclusive em Portugal e no Brasil, desde meados do século dezoito até após a independência de 1822. Na época, a “gota  d’água” que provocou o fechamento total e durante  mais de meio século da Companhia de Jesus foi o assassinato de um rei português.  No século dezenove, os jesuítas estavam agindo à vontade. Durante o século vinte,  a organização Opus Dei, criada  à imagem e semelhança do fascismo espanhol, parece haver assumido a maior parte das funções e operações clandestinas e  ilegais antes promovidas pelos jesuítas. O filme e o livro “O Código Da Vinci”, de grande sucesso,  retratam o processo de forma romanceada. 
 
Confirmando, pois, inúmeros outros testemunhos, os escritos de H.P. Blavatsky e dos Mestres dos Himalaias consideram que muitos jesuítas são treinados na arte da mentira e da dissimulação.  Muitos jesuítas influentes, e especialmente os que operavam na Índia quando este país era colônia inglesa, eram “magos” e seguiam a inspiração de uma  Loja de Magia baseada no Egoísmo e no uso intensivo da mentira e da falsidade. Eram inimigos dos ideais teosóficos, e tinham como meta infiltrar e derrotar o movimento teosófico, agindo, se possível,  de dentro para fora. De modo lamentável mas sintomático, Annie Besant não criticou  os jesuítas ou o Vaticano,  mas preocupou-se em criar uma “igreja católica teosófica”.  
 
A Carta 74 faz uma comparação direta entre os métodos da Loja dos Irmãos da Fraternidade Universal,  que trabalha com a Verdade e com a Sinceridade, e os métodos da Loja Oculta do Egoísmo, que trabalha com a fraude e manipula pessoas através de jogos de aparência, ritualismos  e chantagem emocional. 
 
A Carta 74 é especialmente importante para que cada teosofista atento do século 21 possa julgar e saber por si mesmo onde há verdade e onde há falsidade,  no movimento teosófico e esotérico em geral, e em cada uma das suas agrupações.
 
Assim o estudante poderá alcançar duas metas ao mesmo tempo. Uma delas é compreender e afastar-se por mérito próprio dos métodos e das influências da Loja Oculta da Mentira (conhecida por imitar como pode a Loja dos Mestres dos Himalaias).  A outra é  compreender e aproximar-se do “Caminho Estreito da Verdade” e do campo magnético dos que trabalham pelo ideal dos Mestres da Fraternidade Universal, a fraternidade entre todos os seres.      
 
Quando a  crença em instituições e a obediência automática a estruturas de poder   substituem o compromisso com a busca dinâmica e questionadora da verdade,  temos diante de nós uma ponta do grande iceberg da fraude espiritual.  Mas não é fãcil perceber isso, porque um pensador escreveu, com razão:
 
“O mal está condenado a imitar o bem”.
 
A conclusão prática inevitável deste axioma é que  cabe ao estudante da tradição esotérica pensar por si mesmo e aprender a distinguir  o joio e o trigo,  a ilusão e a verdade, a fraude “bem intencionada” e o compromisso com a auto-transformação.  
 
A Carta 74 de “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett” é um documento de grande importância para que o movimento esotérico possa encontrar – e manter –  o rumo correto no século 21.  O texto também esclarece como funciona, de fato,  o discipulado autêntico.  O processo é diametralmente oposto às fantasias  colocadas em  circulação por Annie Besant e outros supostos clarividentes, dentro e fora do movimento teosófico.   O método real de provações e aprendizado passa pela autonomia do aluno, que deve compreender o processo por si mesmo,  e corresponde, de um modo geral, ao que é alegoricamente colocado no Livro de Jó da Bíblia cristã, especialmente no seu capítulo dois.  A seguir, pois, os principais trechos de um dos documentos mais reveladores da literatura esotérica.  
 
Carta número 74, Para Allan O. Hume:
 
Comparando os Métodos de Duas Lojas Ocultas
 
Meu caro Irmão.
...... Chegou o momento em que devo falar franca e abertamente com você. Mentir é um refúgio dos fracos, e nós somos suficientemente fortes, mesmo com todas as deficiências que você tem o prazer de descobrir em nós, para temer muito pouco a verdade; tampouco temos tendência a mentir apenas porque seria do nosso interesse parecer sábios em relação a assuntos que ignoramos.  (........) Seja como for, vejo agora apenas dois caminhos diante de nós, sem qualquer caminho intermediário. A partir de agora, se o seu desejo é de que trabalhemos juntos, devemos fazê-lo sobre a base de uma perfeita compreensão. Você estará em total liberdade para dizer-nos – já que você parece, ou melhor, levou a si mesmo a acreditar sinceramente – que a maior parte de nós, devido ao mistério que nos rodeia, vive de aparentar que sabemos o que na realidade não sabemos; enquanto eu, por exemplo, estarei igualmente livre para dizer o que posso pensar de você, se você prometer ao mesmo tempo que não rirá disso ostensivamente, alimentando um ressentimento internamente (algo que, apesar dos seus esforços, você raramente consegue evitar) mas que, caso eu esteja errado, você o provará com uma demonstração mais substancial que uma mera negativa. A menos que você se comprometa através de uma promessa como essa, é completamente inútil para qualquer um de nós perder tempo em controvérsias e correspondência. Melhor apertar as mãos astralmente, através do espaço, e esperar até que, ou você tenha adquirido o dom de discernir a verdade da falsidade em um grau maior do que você possui agora; ou fique claro que nós não somos mais que impostores (ou, ainda pior, fantasmas mentirosos); ou, finalmente, que algum de nós esteja em condições de demonstrar nossa existência para você mesmo ou para o sr. Sinnett – não astralmente, porque isso poderia apenas reforçar a teoria do “Espírito”, mas – visitando-o pessoalmente.
 
......Um chela em provação tem permissão para pensar e fazer o que quiser. Ele é advertido e informado previamente: “Você será tentado e enganado pelas aparências; dois caminhos se abrirão diante de você, os dois levando à meta que você está tentando alcançar; um, fácil, e este o levará mais rapidamente ao cumprimento das ordens que você pode receber; o outro, mais árduo, mais longo; um caminho cheio de pedras e espinhos que o farão pisar em falso mais de uma vez; e no final do qual você pode, talvez, chegar a um fracasso, depois de tudo, e ser incapaz de executar as ordens dadas para um pequeno trabalho particular – mas, enquanto este caminho fará com que as dificuldades enfrentadas por você devido a ele sejam todas contabilizadas a seu favor a longo prazo, o outro, o caminho fácil, só pode oferecer a você uma gratificação momentânea, uma realização fácil da tarefa”. O chela tem toda liberdade, e freqüentemente muitas razões, do ponto de vista das aparências, para suspeitar que seu Guru é “um impostor”, uma palavra elegante. Mais que isso: quanto maior e mais sincera sua indignação – seja ela expressada com palavras ou esteja fervendo em seu coração – tanto mais adequado ele é, e mais qualificado para tornar-se um adepto. Ele é livre para usar, e não terá que responder pelo fato de empregar até mesmo as palavras e expressões mais abusivas em relação às ações e ordens do seu guru, uma vez que ele saia vitorioso da provação; uma vez que ele resista a todas e cada uma das tentações; que rejeite todas as seduções; e comprove que nada, nem mesmo a promessa daquilo que ele considera mais valioso que a vida, daquela bênção extremamente preciosa, seu futuro adeptado – é capaz de fazer com que ele se desvie do caminho da verdade e da honestidade, ou forçá-lo a tornar-se um enganador. Meu caro senhor, nós dificilmente concordaremos alguma vez em nossas idéias das coisas, e mesmo em relação ao valor das palavras. Você nos chamou em determinada ocasião de jesuítas; e, vendo as coisas como você vê, talvez você estivesse certo, até certo ponto, em ver-nos deste modo, já que aparentemente nossos sistemas de treinamento não diferem muito. Mas só externamente. Como eu disse certa vez, eles sabem que o que eles ensinam é uma mentira; e nós sabemos que o que nós transmitimos é verdade, a única verdade e nada mais que a verdade. Eles trabalham para maior poder e glória (!) da sua ordem; nós – para o poder e a glória final dos indivíduos, de unidades isoladas, da humanidade em geral, e estamos contentes de, ou melhor, somos forçados a deixar nossa Ordem e seus chefes inteiramente no esquecimento. Eles trabalham, e se esforçam, e enganam, em função do poder mundano nesta vida; nós trabalhamos e nos esforçamos, e deixamos que nossos chelas sejam temporariamente enganados, para dar-lhes meios de nunca mais serem enganados a partir de agora, e de ver toda a maldade da falsidade e da mentira, não só nesta vida mas em muitas vidas depois desta. Eles, os jesuítas, sacrificam o princípio interno, o cérebro espiritual do ego, para alimentar e desenvolver melhor o cérebro físico do homem pessoal e evanescente, sacrificando toda a humanidade para oferecê-la em holocausto à Sociedade deles – o monstro insaciável que se alimenta com o cérebro e a medula da humanidade, e desenvolvendo um câncer incurável em cada ponto de pele saudável que toca. Nós, os criticados e mal-entendidos Irmãos, tentamos levar os homens a sacrificar a sua personalidade – um relâmpago passageiro – pelo bem-estar de toda a humanidade, portanto pelos seus próprios Egos imortais, que são parte dela, assim como a humanidade é uma parte do todo integral, ao qual se reunirá um dia. Eles são treinados para enganar; nós, para desenganar; eles fazem o papel de animais que se alimentam de carniça, confinando alguns poucos pobres e sinceros instrumentos deles – con amore, e com objetivos egoístas; nós, deixamos isso para nossos lacaios, os dugpas que trabalham para nós, e lhes damos carte blanche [1] por algum tempo, com o único objetivo de extrair toda a natureza interna do chela, a maior parte de cujos cantos e recantos permaneceria escura e escondida para sempre, se não fosse dada uma oportunidade para que cada um destes cantos fosse testado. Se o chela conquista ou perde o prêmio é algo que depende apenas dele. Só que você deve lembrar que as nossas idéias orientais sobre “motivações”, “sinceridade” e “honestidade” diferem consideravelmente das suas idéias no Ocidente. Ambos acreditamos que é moral dizer a verdade e imoral mentir; mas aqui toda analogia termina e nossas noções passam a divergir em um grau bastante notável. Por exemplo, seria uma coisa extremamente difícil para você dizer-me como é que a sua sociedade ocidental e civilizada, com sua igreja, Estado, política e comércio, puderam em algum momento assumir uma virtude que é completamente impossível de praticar em sentido irrestrito por um homem culto, um estadista, um comerciante, ou qualquer outro que viva no mundo? Poderá qualquer uma das classes mencionadas acima – a fina flor da nobreza da Inglaterra, seus mais orgulhosos fidalgos e mais destacados membros do parlamento, suas damas virtuosas e sinceras – poderá qualquer um deles falar a verdade, pergunto, seja em seu lar, ou em sociedade, durante suas funções públicas ou no círculo familiar? O que você pensaria de um cavalheiro, ou dama, cuja afável polidez de maneiras e suavidade de linguagem não cobrisse falsidade alguma; alguém que, ao encontrar você, lhe diria direta e abruptamente o que pensa de você, ou de qualquer outra pessoa? E onde você pode encontrar aquela pérola de comerciante honesto ou aquele patriota temente a Deus, ou político, ou um simples visitante casual seu, que não esconde seus pensamentos todo o tempo, e é obrigado, sob pena de ser visto como um bruto, um louco – a mentir deliberadamente, e com uma expressão facial enfática, assim que é forçado a dizer o que pensa de você; a menos que por milagre seus sentimentos reais não exijam ser escondidos? Tudo é mentira, tudo falsidade, ao redor de nós e em nós, meu irmão; e é por isso que você parece tão surpreso, se não abalado, sempre que encontra uma pessoa que diz a você cara a cara a dura verdade, e também é por isso que parece impossível a você compreender que um homem pode não ter nenhum mau sentimento contra você, e até mesmo gostar de você e respeitá-lo por certas coisas, e no entanto dizer-lhe frente a frente o que pensa honesta e sinceramente de você. Ao notar a opinião de [... a inicial do nome de um Mestre] sobre você expressa em algumas das cartas dele (você não deve sentir-se tão completamente seguro de que porque elas estão com a letra dele foram escritas por ele, embora, naturalmente, cada palavra seja aprovada por ele com determinados propósitos), você diz que ele tem “um modo peculiar de expressar-se, para dizer o mínimo”. Bem, este “modo” é simplesmente a verdade pura, que ele está disposto a escrever a você, ou mesmo dizer e repetir frente a frente, sem o menor disfarce ou alteração – (..........) ; e ele é, de todos os homens que conheço, exatamente aquele que faz isso sem a menor hesitação! E devido a isso, você o chama de “um tipo imperioso de sujeito, muito irritado quando encontra oposição”, mas acrescenta que você “não atribui a ele por isso maldade alguma, e não gosta menos dele por isso”. BEM, ISSO NÃO É VERDADE, meu irmão, e VOCÊ SABE DISSO. No entanto, estou disposto a aceitar a definição em um sentido limitado, e a admitir e a repetir com você (e com ele ao meu lado), que ele é um tipo muito imperioso de sujeito, e certamente muito capaz às vezes de ficar irritado, especialmente se encontra oposição quando sabe que está certo. Você teria uma idéia melhor dele, se ele escondesse sua raiva, mentisse para si mesmo e para os de fora, e assim permitisse que eles lhe atribuíssem uma virtude que ele não tem? – É um ato meritório extirpar com suas raízes todos os sentimentos de raiva, de modo a nunca sentir o menor paroxismo de uma paixão que todos nós consideramos pecaminosa, mas é um pecado ainda mais grave, para nós, fingir que a raiva foi extirpada. Leia, por favor, “Elixir of Life” número dois (abril, p. 169, coluna 1, parágrafos 2, 3, 4, 5 e 6). E no entanto, nas idéias ocidentais, tudo é reduzido às aparências, mesmo na religião. Um confessor não pergunta a seu penitente se ele sentiu raiva, mas se ele mostrou raiva a alguém. “Evitarás ser descoberto ao mentir, roubar, matar, etc.” – este parece ser o principal mandamento dos Senhores deuses da civilização, a Sociedade e a Opinião Pública.  Essa é a única razão por que você, que pertence a ela, dificilmente apreciará algum dia caráteres como o de [ .... o nome de um Mestre... ] ; um homem tão duro consigo mesmo, tão severo com suas falhas, quanto indulgente com os defeitos das outras pessoas, não em palavras, mas nos sentimentos mais interiores do seu coração; porque, embora ele esteja sempre pronto a dizer frente a frente qualquer coisa que pense de você, ele sempre foi um amigo mais firme seu do que eu mesmo, que posso freqüentemente hesitar ao ferir os sentimentos de qualquer um, mesmo quando se trata de dizer a mais estrita verdade. Assim, se  [.... a inicial do nome de um Mestre] fosse alguém que alguma vez aceitasse dar uma explicação, ele poderia ter-lhe dito: “Meu irmão, em minha opinião você é intensamente egoísta e orgulhoso. Em sua auto-estima e auto-adulação, você geralmente perde de vista o resto da humanidade, e eu realmente acredito que você vê todo o universo como se tivesse sido criado para o homem, e este homem é você mesmo. Se não posso aceitar oposição quando sei que estou certo, você pode aceitar ainda menos que o contradigam, mesmo quando sua consciência lhe diz claramente que está errado. Você é incapaz de esquecer – embora eu admita que você é capaz de perdoar – o menor desprezo. E, acreditando sinceramente que você foi desprezado desta forma por mim (ignorado, como você disse certa vez), até hoje a suposta ofensa exerce uma influência silenciosa sobre todos os seus pensamentos que se relacionam com minha pobre individualidade. E embora o seu grande intelecto sempre vá impedir que quaisquer pensamentos vingativos se afirmem e assim vençam sua melhor natureza, mesmo assim eles não deixam de ter certa influência inclusive sobre suas faculdades de raciocínio, já que você tem prazer (embora dificilmente vá admiti-lo para si mesmo) em conceber maneiras de surpreender-me dando um passo em falso, até o ponto de representar-me em sua imaginação como um tolo, um ignorante crédulo capaz de cair nas armadilhas de  (.......).  Vamos raciocinar, meu irmão. Vamos deixar inteiramente de lado o fato de que eu seja um iniciado, um adepto – e raciocinar sobre a posição que as suas faculdades imaginativas criaram para mim, como dois mortais comuns com uma certa dose de bom senso na minha cabeça e uma grande dose da mesma virtude na sua. Se você está disposto a conceder-me algo tão simples, estou pronto a provar-lhe que é absurdo pensar que eu poderia ter caído nas malhas de um esquema tão pobre!
 
E agora  (............) talvez eu possa ter a permissão de dizer algumas palavras de minha parte. Vou começar lembrando-o de que em diferentes ocasiões, especialmente durante os últimos dois meses, você se ofereceu repetidamente como possível chela, e o primeiro dever de um chela é ouvir sem raiva ou má fé qualquer coisa que o guru possa dizer. Como podemos alguma vez ensinar, ou você aprender, se tivermos que manter uma atitude completamente alheia a nós e a nossos métodos – a de dois homens da sociedade? Se realmente quer ser um chela, isto é, tornar-se recipiente dos nossos mistérios, você tem de se adaptar às nossas maneiras, e não nós às suas. Enquanto você não fizer isso, é inútil esperar mais do que nós podemos transmitir nas circunstâncias comuns.  (......)
 
(.....)
 
Atenciosamente,  [ o nome do Mestre] .
 
 
NOTAS:
 
[1]  “Carte blanche”: “carta branca”, em francês; total liberdade. Os “dugpas” são inimigos da verdade que trabalham com forças sutis e combatem o trabalho dos Mestres. Esta passagem retrata um princípio central do verdadeiro treinamento oculto, que também aparece na Bíblia, mais precisamente em Jó, capítulo dois. A noção de Annie Besant e Charles Leadbeater segundo a qual o Mestre protege o discípulo da possibilidade de errar faz parte da vasta fraude,  literária e “espiritual” criada após a morte de Henry Olcott em 1906.
 
 
MUNDO INTERIOR
 
Augusto de Lima
 
Quem me vê meditabundo
e de olhos fechados, brada:
“Eis uma alma encarcerada,
indiferente a este mundo.”
 
Mal sabe a turba inexperta
que, por mais que se retraia
de nossa matéria a raia,
mais a razão se liberta.
 
Pois, da abstração da Utopia
surge não raro um compasso;
é um sonho infinito o espaço,
mas real a Astronomia.
 
Se sondo, investigo, estudo,
buscando a ciência que almejo,
fito os astros,- nada vejo,
cerro os olhos, - vejo tudo.
 
Nas horas em que medito,
(quão breves são essas horas!)
em minha alma abrem-se auroras
com portas para o infinito.
 
Nesse mundo de esplendores,
com os sentidos devoro
o acorde, prisma sonoro,
o prisma, acorde das cores.
 
E para que mais me encante,
o pensamento divino
torna-me o olfato mais fino
e a vista mais penetrante.
 
Quanto à minha alma, entretém-na
a harmonia eternamente;
porque o silêncio inclemente
só na matéria é que reina.
 
[ Do volume “Poesias”, de Augusto de Lima,
Editora H. Garnier, Rio de Janeiro, 1909, ver pp. 155-156.]
 
 
A Combinação Indispensável:
 Responsabilidade  e Independência
 
Até que ponto podemos deixar de lado os automatismos da “psicologia de grupo” e ser ao mesmo tempo independentes  e solidários diante da vida?  É preciso que cada cidadão observe e compreenda sua própria experiência pessoal,  para que vá além das pressões que recebe no sentido de “fazer como todos fazem”.  O nascimento da autonomia não é fácil, porque a pressão automatizante começa desde cedo.  Quando alguém é criança, as “autoridades” domésticas e escolares emitem ordens a todo momento:  


“Escove os dentes!”
“Faça os deveres de casa!”
“Preste atenção à aula!”

Mais tarde o cidadão resignado ouve do padre ou do pastor:

'Não esqueça de ter um profundo  medo do Inferno e do Senhor!'
'Faça sua contribuição financeira à Igreja para garantir sua salvação!'
“Acredite que fora da crença nesta nossa instituição não pode haver libertação espiritual para você!”
 
Alguns grupos “esotéricos” insistem  em acrescentar, com  ar bondoso, a seguinte chantagem emocional:
 
“Obedeça sem questionar, ou perderá a ‘grande oportunidade’ da sua encarnação atual!”
 
Do berço ao túmulo,  somos rodeados de recomendações, cobranças e pressões externas.  Se ligarmos a   a televisão, veremos quantas ordens por minuto os comerciais lançam sobre nossos cérebros exaustos.  Também é suficiente andar de automóvel por qualquer grande cidade e observar os controles eletrônicos de velocidade máxima, ameaçando com pesadas multas em caso de distração.  É desnecessário mencionar cartazes,  outdoors e as propagandas impressas em jornais e revistas .  Por todos os lados,  espera-se que o cidadão seja um “consumidor e pagador submisso, automático  e inconsciente”.  

A sabedoria esotérica ensina a  trilhar o caminho oposto, e a ouvir a voz sem palavras da nossa alma.  Os estudantes da filosofia esotérica avançam na contramão da materialidade impensada.  Eles são  como os peixes na época da piracema, que sobem até as águas puras  das nascentes dos rios, e ali renovam a vida.   A  teosofia propõe  o caminho da  independência pessoal  –  sem abandonar as nossas responsabilidades reais diante do mundo concreto e objetivo. Ela considera que, completada a etapa infantil e  chegados à fase adulta da vida, podemos alcançar uma independência solidária na caminhada  espiritual, enquanto cumprimos nossos deveres de cidadãos e indivíduos.

Existe um centro de autonomia superior em nossa consciência. Este princípio da consciência,  sendo independente de pressões imediatas, é também solidário e criativo, e pode romper a lógica automática da ilusão organizada.  Assim abrimos espaço para ouvir a voz do silêncio, a voz da consciência profunda.

Naturalmente,  devemos compartilhar e aproveitar as experiências dos mais antigos na caminhada. Mas as instituições devem estar a serviço da sabedoria e da ética, e não o contrário.  A  ética não deve ser deixada de lado cada vez que contraria interesses políticos ou institucionais.  É por esse motivo que, para o estudante de filosofia esotérica,  não há religião, nem crença, nem interesse pessoal, igreja ou sociedade mais elevados que a verdade.
 
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Temas Que Não se Deve Esquecer
Pergunta e Comentário Sobre a Reencarnação
Pergunta:
 
O pensamento de Krishnamurti é seguidamente criticado por ser demasiado limitado e porque nem sequer trabalha com os conceitos teosóficos mais  essenciais,  como Carma, Reencarnação, Mestres e  Discipulado.   Concordo com a idéia de que a lei do Carma, sendo a lei do universo, deve ser estudada em todos os momentos.  A existência dos Mestres e a possibilidade do Aprendizado ou Discipulado são igualmente indispensáveis.  Mas por que alguém consideraria importante investigar e estudar também o processo de reencarnação?
 
Comentário:
 
Entre os sintomas da precariedade dos ensinamentos “esotéricos” que hoje se vê circulando em língua portuguesa figura o fato de que pouco se discute do processo e do funcionamento da reencarnação.
 
Segundo os Mestres, a reencarnação se dá em intervalos de entre mil e três mil anos, ao contrário do que afirmam os espíritas e os seguidores de Leadbeater, que falam de intervalos mais breves.  Há vários tipos de exceções, em que o intervalo pode ser curto. No entanto, a regra geral é de mil a três mil anos de intervalo.  A visão da evolução individual como um processo de longo prazo, que inclui muitas vidas,  é um elemento importante para ir além  do imediatismo e reforçar o contato com a nossa alma imortal.  A evolução dessa 'alma espiritual' (Atma-Buddhi) se desdobra ao longo de  muitos milhares de anos.  
 
A 'provação' e os 'testes' são experimentados pelas sucessivas almas mortais (quarto e quinto princípios). Em cada existência, nossas almas mortais são discípulos da nossa  Alma Espiritual, o Mestre Interno. O aprendizado prossegue até que o discípulo alcance a libertação e a imortalidade ao obter uma completa unidade com a alma espiritual.  O caminho passa pela ética interior de longo prazo.  
 
A ética que pode ser incutida à força é apenas superficial.  A ética autêntica decorre naturalmente do fato de que o estudante percebe por si mesmo a unidade dinâmica de tudo o que existe.  Deste modo, ele SABE, em primeira mão, que 'aquilo que se planta,  se colhe'.  Ele confia na Lei  e  por isso  decide plantar o bem ainda quando percebe que os resultados só virão em um futuro de médio e longo prazo, isto é, em outras vidas.  A existência maior ou menor deste tipo de  Ética em nós é um termômetro do nosso aprendizado e do valor real que a filosofia esotérica tem para as nossas vidas.
 
Por outro lado,  se o indivíduo acha que não haverá vidas futuras, ou se ele NÃO SABE concretamente que haverá, fica mais difícil vencer a tentação de querer “driblar a Lei' e de  tentar fugir dos resultados das suas más ações.  Mas o futuro dos espertalhões não é brilhante. Poupa-se tempo avançando com realismo. 
 
Antologia de Argumentos Ilusórios  (2)
“Organizações Esotéricas Pequenas Não Têm Força Ou Legitimidade”
 
Carlos Castaneda escreveu que cada aprendiz cria um “esquema de indulgência”,  uma série de desculpas para justificar  sua indolência mental e espiritual.  Em psicanálise, isso é chamado de “resistência”.  Organizações pseudo-esotéricas seguem o mesmo caminho, e  “O Teosofista” está começando a fazer um inventário dos argumentos ilusórios que circulam no chamado movimento esotérico, funcionando como desculpas para não enxergar a verdade.  A tarefa foi iniciada na edição de dezembro de 2007. O segundo argumento ilusório a analisar é o seguinte:  
 
“Os pequenos grupos espiritualistas não têm peso nem  legitimidade. O seu próprio tamanho diminuto já mostra isso.  Instituições com real legitimidade possuem poder visível,  influência política,  grandes prédios, estações de rádio e canais de televisão.  Por outro lado, a  corrupção,  a safadeza e a  traição aos ideais proclamados devem ser aceitos como algo  normal –  em nome da fraternidade e do perdão espiritual.  A legitimidade de uma proposta de trabalho espíritual  se mede, não pela coerência, nem pela sinceridade,  mas pela quantidade de gente que ela reúne e de dinheiro de que dispõe. Para ser  espirituais,  devemos deixar de lado o espírito crítico e acreditar, ou pelo menos fingir educadamente que acreditamos,  em tudo o que dizem os líderes.”  
 
Se os argumentos acima  fossem verdadeiros, e quantidade fosse sinônimo de qualidade, os membros do movimento esotérico deveriam abandonar imediatamente as suas diferentes organizações e aderir todos à igreja católica romana ou outra grande religião de massas e burocratizada.  Não há por que aderir a imitações.  
 
A prática histórica dos últimos milênios demonstra  que pequenos grupos de pessoas que sabem o que querem e agem criativamente têm sempre feito a diferença para melhor, enquanto as “maiorias compactas” têm sido incapazes de ajudar a causa da paz e da evolução humana.
 
Naturalmente,  não basta um grupo espiritualista ser pequeno e pobre para que seja autêntico. É  preciso mais que isso. Mas o fato de que um grupo pareça ser numeroso e possua “valiosos bens materiais”   tampouco chega a constituir um atestado de legitimidade.
 
A compra e venda de indulgências pode ser  uma prática tradicional, mas não funciona perante a lei do carma.
 
Ao contrário, a pobreza de meios materiais é um item importante.  Os principais líderes do movimento teosófico, inclusive H. P. Blavatsky, Damodar K. Mavalankar,  Henry Olcott e William Judge, foram extremamente pobres, assim como outros pensadores filantropos e humanitários, entre eles Mahatma Gandhi, São Francisco de Assis, Gautama Buddha. Virtualmente todos os líderes espirituais autênticos da história da humanidade estão no mesmo caso.  Dificilmente uma pessoa sábia corteja a popularidade. Os filósofos clássicos ocidentais – de Pitágoras  a Lúcio Sêneca  –  tinham, ao contrário, o “hábito” de serem perseguidos por  autoridades e lideranças políticas.  O Jesus do Novo Testamento não foi exceção.
 
É importante, pois,  buscar a verdade e não a “maioria política”.  Mesmo dentro do movimento teosófico, e ainda em vida de H.P. Blavatsky e Henry Olcott, apenas uma minoria levava a sério os ensinamentos dos Mestres, porque poucos estavam preparados para isso.  A mesma situação existe hoje no movimento esotérico.
 
O caminho da verdade é estreito e íngreme,  e uma das obras mais importantes de Helena Blavatsky, “A Voz do Silêncio”, é dedicada  não às multidões, mas sim “Aos Poucos”. 
 
Cabe registrar que a edição da obra publicada no Brasil pela Editora Pensamento erra grosseiramente na tradução, ao publicar a dedicatória como sendo “Aos Eleitos”.  Os sábios não têm alunos “eleitos” no sentido de “prediletos”.  Todos são iguais perante a lei do carma e perante  a sabedoria.
 
A dedicatória de “A Voz do Silêncio” se explica pelo fato de que ainda são muito poucos   –  e não “majoritários” –  os que buscam de fato a verdade e têm coragem de pagar o  preço por esta busca.  
 
 
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Uma Oração Judaica Dirigida ao Eu Superior
 
Estudando  Um  Velho  Livro  de  Orações  de  Comunidades  Hebraicas
 
Quando os estudantes de teosofia ou crentes das diferentes religiões pensam em Deus, Krishna, Cristo, Buddha – ou meditam no Tao, na Lei, em Zoroastro, em  Jeová ou Parabrahman – eles estão concentrando seu pensamento em metáforas  culturalmente criadas que simbolizam, em última instância, os seus próprios eus superiores ou Almas Espirituais. O mesmo pode ser dito de quem pensa com devoção nos Mestres de Sabedoria. A função técnica e prática do trabalho de tais Mestres é, precisamente, ativar e estimular o sexto princípio ou inteligência espiritual dos discípulos e cidadãos de boa vontade em geral (sejam ou não membros do movimento esotérico).  
 
Um velho livro de orações judaico, editado nos Estados Unidos em 1953, traz uma excelente oração que pode ser conscientemente dirigida ao eu superior ou alma imortal de cada estudante.
 
Diz a “Oração ao Eu Superior”:
 
Nesta hora feliz de adoração, deixo de lado todo esforço e cuidado e elevo meu coração até Ti em busca de luz e força, de fé e  coragem.
 
Durante a tensão e o tumulto das lutas diárias, eu cedo com demasiada frequência às facilidades egoístas e a ambições menores. Fico tão envolvido com as coisas da terra que perco a percepção da simplicidade e da nobreza da vida.
 
Fortalece meu espírito, ilumina a minha razão,  e eleva minhas metas e meus desejos, de modo que eu possa colocar todos os meus poderes de corpo e mente a Teu serviço.
 
Tu implantaste em mim a busca pelo que é invisível e pelo infinito;  que Tu estimules também em mim um cuidado e um propósito renovados, quando minha alma perder as forças e minha visão ficar embaçada. Que meus ideais permeiem todos os meus pensamentos e esforços, e que eu possa não perder de vista  jamais as Tuas realidades supremas! 
 
Eu me inclino reverentemente diante de Ti, Força do meu coração, minha Luz infalível. Amém.  [1]
 
Fica muito claro, pelo conteúdo desta oração, que ela é dirigida à presença divina no templo  da nossa própria consciência –;  em outras palavras, à  alma espiritual do devoto ou estudante.
 
NOTA:
[1]  “The Union Prayerbook for Jewish Worship”, Part I, Cincinnati, USA, 396 pp., 1953, ver pp. 58-59.
 
O Segredo da Loja Unida de Teosofistas
 
Uma  Calma  Afinidade  Interior,   e  Não  Mera  Propaganda
 
A Loja Unida de Teosofistas foi fundada e é mantida com base em um princípio muito simples e uma convicção muito simples. Ela foi inaugurada a partir do princípio e da convicção de que uma semente, plantada na primavera, se tornará um organismo viável no outono.
 
A semente era a simples verdade Teosófica, regada pelo estímulo de um sacrifício inabalável. Considerava-se que um número suficiente de indivíduos seria atraído a um centro vivo através de uma afinidade Cármica natural,  e que eles, por sua vez, atrairiam outros através do contato, dos preceitos, do exemplo – e do nascimento.
 
Considerava-se que cada componente encontraria seu lugar, sua relação natural com os seus predecessores,  gradualmente –  por um processo lento e natural de agregação, de seleção e de fusão.
 
[ Trecho do texto “L.U.T. - A Semente e o Organismo”, publicado na seção “Movimento Teosófico” do site www.filosofiaesoterica.com . ]
 
 
Dez Pontos Para a Proteção Florestal
 
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A consciência  ambiental não nasceu há
pouco. Na primeira metade do século
19,  o patriarca da Independência, José
Bonifácio,  alertava contra a destruição
das florestas,  no Brasil e no mundo. 
 
O decálogo a seguir –  reproduzido 
de uma publicação teosófica de 1947 – 
é mais uma prova escrita de que a  
consciência  ecológica não só  tem raízes 
antigas,  mas é fundamental para que
 se renove o atual processo civilizatório.
 
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O Decálogo das Florestas
 
1) O grau de cultura de uma nação está na razão direta da sua proteção à árvore.
 
2) Arborizando os lugares de origem de um curso d’água, este é transformado em uma corrente mais benéfica.
 
3) As florestas são a alma  da agricultura; é essencial conservá-las, para que não desapareça a  cultura dos campos.
 
4) Os mananciais só se formam nas florestas; desenvolvendo-as, amenta-se o caudal dos rios.
 
5) As dunas formadas de areias móveis causam verdadeiras catástrofes, invadindo constantemente as terras.  Se as imobilizarmos por meio de plantação de árvores,  transformaremos o deserto em oásis.
 
6) É tão direta a ação da floresta sobre o clima, na formação e na distribuição  das chuvas, e são tão necessários os produtos florestais, que a destruição das florestas constitui um verdadeiro perigo mundial.
 
7) Só a plantação de árvores pode tornar saudáveis e habitáveis os terrenos pantanosos. 
 
8) A majestosa beleza da floresta é motivo suficiente para justificar a sua existência.
 
9) As florestas são grandes depósitos de ar puro, são produtoras de oxigênio, e por isso é essencial a sua conservação.
 
10) Quem planta uma árvore pratica uma boa ação; aquele que a destrói sem necessidade é um indivíduo ignorante e maldoso.
 
[ Reproduzido da revista impressa “O Teosofista”, de janeiro de 1947, p. 25 --    que por sua vez reproduziu o texto da publicação “O Vegetariano”. ]
 
 
Destaques do Site www.filosofiaesoterica.com
 
Entre os textos recentes do site filosofiaesoterica.com deve-se destacar: “As Iniciações e os Grandes Seres”, de Helena P. Blavatsky. Trata-se de um trecho fundamental da obra “A Doutrina Secreta”.
 
Outros artigos signnificativos são “Paz, Conflito e Fraternidade”, de Um Estudante de Teosofia; “A Solidariedade Animal”, de Márcio Linck; “Optando Pelo Que É Fundamental”, de Três Estudantes de Filosofia;  “A Ação Humanitária Eficaz” de “The Theosophical Movement”, e “O Feticídio é um Crime?”, de H.P. Blavatsky.
 
O site possui uma seção independente com a coleção completa de “O Teosofista”, desde a edição número zero, em maio de 2007.
 
 
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O Teosofista - Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico
      
Número 08, janeiro de 2008. 
O Teosofista é o boletim eletrônico mensal do website www.filosofiaesoterica.com . Entre em
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