Poema Sobre o Mar Físico
e o Oceano da Consciência
 
 
Ribeiro Couto
 
 
 
 
 
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O escritor e poeta brasileiro Ribeiro Couto
nasceu a 12 de março de 1898 e viveu até 1963.
 
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À noite, no refúgio que me faço
Num mar de nuvens me descubro imerso,
Digo palavras tontas pelo espaço,
E de cada palavra nasce um verso.
 
Se um braço estendo, já não é meu braço,
É qualquer coisa solta no universo;
Se me quero mover me despedaço
E em mim mesmo ficando estou disperso.
 
Surpreso, volto ao natural de em torno:
No quarto claro a luz me acaricia,
Tudo tem sua forma e seu contorno.
 
Daquele mar noturno enfim liberto,
Deste, na praia ao sol, vem a alegria,
Posso nele saltar de peito aberto.
 
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O poema “Litoral” é reproduzido da p. 133 do livro “Longe”, de Ribeiro Couto, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1961, 140 páginas. Foi publicado também na edição de março de 2014 de “O Teosofista”, pp. 17-18.  
 
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