O Que um Mestre dos Himalaias Ensina a Respeito
 
 
Carlos Cardoso Aveline
 
 
 
 
 
O sexto princípio da nossa consciência é Buddhi, a alma espiritual. E ele é a verdadeira fonte dos sentimentos de remorso. Portanto, o remorso constitui uma emoção saudável: um indivíduo sem remorsos só pode existir se estiver desconectado da sua própria consciência.
 
Ao abordar o processo do Devachan – que é o ponto culminante da trajetória entre duas encarnações – um Mestre de Sabedoria escreveu o seguinte:
 
“Se um remorso de consciência (que procede sempre do sexto princípio) foi sentido apenas uma vez durante o período de bem-aventurança e de amor realmente espirituais (…) então esse remorso deve prosseguir e acompanhará incessantemente as cenas de puro amor.” [1]
 
O remorso é uma atividade espiritual. E também o arrependimento. Esta é a ideia básica do presente artigo. O remorso é um sentimento desconfortável: não pode haver dúvida sobre isso. No entanto, ele deve ser respeitado, porque nasce de um real contato com o eu superior, e este contato é probatório: não se pode esperar que ele seja necessariamente agradável.
 
A realidade das nossas falhas deve ser admitida. De nada adianta tratar de convencer a nós mesmos de que raramente fazemos erros, para assim escapar de sentimentos desagradáveis. O remorso não deve ser artificialmente negado ou suprimido em nossa vida. O orgulho desinformado daquele que pensa que é infalível constitui sobretudo uma ilusão patética. O remorso deve ser calmamente observado, e aceito, e escutado, porque traz importantes lições para a nossa aprendizagem.  
 
Em sua obra “O Profeta”, Kahlil Gibran escreveu:
 
“E como punireis aqueles cujos remorsos já são maiores que seus delitos? Não é o remorso uma justiça aplicada por esta mesma lei que desejais servir? E, contudo, não podeis impor o remorso ao coração do inocente, nem retirá-lo do coração do culpado. Espontaneamente, ele gritará na noite para que os homens despertem e reconsiderem. E vós que desejais compreender a justiça, como a compreendereis sem examinar todas as ações na plenitude da luz? Somente então sabereis que o ereto e o caído são um mesmo homem, vagueando no crepúsculo entre a noite de seu Eu-pigmeu e o dia do seu Eu-divino, e que a pedra angular do templo não supera a pedra mais baixa de suas fundações.” [2]
 
Isto se aplica a todo movimento altruísta, e também a cada aspecto da vida, individual ou coletiva.   
 
NOTAS:
 
[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume II, Carta 85-B, p. 46. Em inglês, “The Mahatma Letters”, p. 188.
 
[2] Reproduzido de “O Profeta”, Kahlil Gibran, tradução de Mansour Challita, ACIGI, RJ, Brasil, 89 páginas, ver p. 40. Em inglês, veja “The Prophet”, Kahlil Gibran, Senate, 2003, Surrey, UK, 114 pp., ver p. 52.
 
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Exercício Prático
 
É preciso possuir uma autoestima profunda – que nada tem a ver com vaidade – para observar os nossos erros em paz e aprender com eles. A muitos de nós falta coragem interior para isso.
 
* Faça um calmo exame de consciência. Localize um ou dois motivos que você tem para sentir remorsos diante de si próprio. Que atitudes erradas está adotando hoje, ou adotou no passado?
 
* Identificada a falha, decida compensar o seu erro em termos práticos, com a firmeza necessária, e assim expandirá merecidamente o seu sentimento de paz consigo mesmo. (CCA)
 
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O artigo acima foi traduzido do original em inglês pelo próprio autor: “Learning From the Feeling of Remorse”. Está publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 05 de junho de 2024.
 
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Leia mais:
 
 
 
* Começando Pelo Mais Difícil , de O.S. Marden.
 
* Veja a seção temática Cristianismo e Teosofia.
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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