
Mais Cedo ou Mais Tarde, Todos
Descobrem o Caminho Para o Alto
Carlos Cardoso Aveline

A alma humana, diz a Ioga de Patañjali, adota a forma e a substância dos temas que a ocupam. Temas elevados a tornam nobre. Assuntos mesquinhos fazem com que ela se organize para funcionar como se fosse mesquinha.
Por esse motivo, os sentimentos pobres e estreitos – como por exemplo o desprezo pessoal, o rancor, a frustração e a má vontade – só podem ocorrer na ausência daquela emoção natural e benigna que todo ser humano experimenta quando observa a imensidade eterna do cosmos.
Não tem inveja nem raiva aquele que olha o céu numa bela noite estrelada. Ao contrário, sente paz.
No Novo Testamento, Tiago, 3:16 ensina:
“… Onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males.” Nos Ioga Sutras, Livro I, aforismo 33, Patañjali esclarece que o sentimento de inveja só pode nascer numa mente sem rumo, distraída e fora de foco.
A solução está na retomada da humildade.
A lição da modéstia surge de várias formas. Talvez o indivíduo invejoso e cheio de ambição esteja privado do contato consciente com o mundo divino ou com a ética. Mesmo assim, ele pode ficar momentaneamente curado da doença da inveja quando lembra honestamente de dois fatos básicos:
1) O primeiro é que ele nasceu frágil, pequeno, indefeso e sem nada poder fazer por si mesmo, porém dependendo totalmente da boa vontade dos outros.
2) O segundo fato é que cedo ou tarde ele morrerá nas mesmas condições, preparando a maneira como nascerá de novo – já sem corpo físico – no mundo sutil posterior à encarnação material.
Embora seja extremamente simples, a lição da humildade ajuda a remover as causas neuróticas da ilusão egocêntrica de sentimentos como inveja e rancor. Com a experiência direta da modéstia, reencontramos a paz.
Todo peregrino sensato tem a humildade como sua conselheira. Ele observa o mundo desde o ponto de vista da alma espiritual e procura escutar sempre a voz da consciência.
Quando a Bênção Vem Até Nós
A bem-aventurança celeste desce aos poucos sobre a alma do estudante, quando ele estuda humildemente a lei do cosmos que dirige sua vida.
E ele pergunta:
“Que importância terão minhas ansiedades individuais, no contexto umiversal do Grupo Local de Galáxias?”
Qualquer disputa entre personalidades passa então a ser motivo de um riso amargo para o estudante. Sua alma está, em parte, livre de tais ninharias. Ele já não tem sequer paciência com este tipo de perda de tempo.
A filosofia teosófica afirma que o conhecimento depende da sintonia. Quando focamos o olhar no que é elevado, nos erguemos, e ao mesmo tempo saímos do foco em relação ao que não é elevado.
Cada um faz as suas escolhas: mais cedo ou mais tarde, porém, todos descobrem o caminho para o alto. Não é possível postergar eternamente o momento do encontro com a verdade.
000
O artigo “Descoberta a Cura Para a Inveja” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o dia 7 de junho de 2026. Uma versão inicial dele foi publicada, sem indicação do nome do autor, nas edições de julho de 2021 (p. 03), e abril de 2026 (p. 20), do periódico “O Teosofista”. Sobre este mesmo tema, leia o artigo “A Necessidade do Infinito”.
000
Veja o vídeo de sete minutos com Carlos Cardoso Aveline intitulado “A Bem-Aventurança Diária: Curando a Doença da Inveja”:
000
Leia mais:
000

Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.
000