
Quando Tempos Melhores Chegam Até
Nós, Eles Trazem Junto Diversos Incômodos
Carlos Cardoso Aveline

* Nas civilizações antigas, certos animais eram símbolos vivos da realidade celeste. O mundo divino estava visivelmente presente por toda parte. As florestas eram reconhecidas como templos. Considerava-se que os rios eram divindades dignas de profunda reverência. As árvores tinham suas propriedades curativas reconhecidas, e diversos fenômenos naturais eram encarados como manifestações da vontade dos deuses.
* Em outras palavras, o mundo sagrado fazia parte da vida cotidiana. A existência humana era constantemente abençoada.
* Cabe hoje retomar a percepção do sagrado na existência prática do dia-a-dia. Não porque tenhamos medo ou esperança supersticiosos diante dos aspectos divinos da natureza, mas porque a parte mais elevada da nossa alma percebe e está em harmonia com a presença sutil do sagrado no mundo ao nosso redor.
* A felicidade consiste, entre outras coisas, em expandir o contato com a alma imortal e olhar para o mundo desde o ponto de vista do que há de eterno em nosso interior.
* Entre os ingredientes fundamentais do contentamento está a alegria do dever cumprido.
* O bem-estar interior, quando durável, requer um certo grau de experiência acumulada. O acervo de conhecimento prático do caminhante sensato precisa incluir um número expressivo de variadas derrotas. Os fracassos, quando vividos honestamente, são fontes inesgotáveis de aprendizado. Eles abrem caminho para a vitória estável, o contentamento e a felicidade. Estes três fatores são inseparáveis de uma postura humilde, e da simplicidade voluntária.
A Vitória Interior Exige Austeridade
* Quando novos e melhores tempos chegam até nós, trazem junto diversos incômodos. Não há necessariamente muito conforto quando ocorre um progresso real na vida da alma. Se quisermos seguir para adiante e para o alto, é preciso renunciar ao ponto em que estamos da caminhada. O êxito espiritual é inseparável da austeridade.
* Ouvir as árvores e aprender com elas. Escutar a fala do vento. Conversar com os pássaros sem necessidade de palavras. Perceber a consciência sagrada dos rios. Celebrar as nuvens. Quem desenvolve estas práticas de modo anônimo já possui alguns dos conhecimentos necessários para aprender com um verdadeiro Mestre espiritual. Cabe também observar as estrelas lembrando que tudo, no universo, faz parte de um único oceano. E um aviso óbvio: é recomendável aceitar em paz o fato de ser visto como um tolo por muitos: o efeito espelho é inevitável.
* O pensamento otimista não depende de circunstâncias agradáveis. Não surge de vitórias fáceis. O pensamento ótimo resulta do contato interno com o que é ideal e verdadeiro.
* Quem está ligado com sua própria alma imortal também está unido ao que há de melhor no seu entorno. Este tipo de pessoa sabe dizer um firme Não ao que é prejudicial, porque tem discernimento, bom senso e coragem.
* É difícil viver à altura de alguns fatos básicos. Por exemplo: através da austeridade, encontramos o contentamento. Por meio da autorrestrição, alcançamos a liberdade interior. Pela aceitação da humildade, aprendemos a ser grandes. Com a prática da renúncia, conquistamos a plenitude.
* A renúncia é a fonte da felicidade.
* Uma vida simples e a ausência de desejos egoístas são fatores essenciais na caminhada, porque ampliam a capacidade de apreciar a beleza natural da vida, e provocam um contentamento silencioso e profundo diante de tudo o que nos rodeia.
* Cada instante contém a eternidade. O cosmo inteiro está presente em cada átomo.
* A arte de usar o recurso natural chamado “tempo” é indispensável para a ciência que permite plantar bom carma com eficiência.
* Investigar a Lei do Carma significa praticar a arte de utilizar corretamente o Tempo – e de empregar de modo adequado a energia vital.
* Prestando atenção às circunstâncias ao nosso redor, podemos ver a mensagem que a vida trata de transmitir. Não é um convite à acomodação, nem tampouco recomenda o apego à rotina. As circunstâncias difíceis fazem com que desperte a intuição, e é com frequência através delas que a Vida nos empurra pouco a pouco para uma visão mais sábia da realidade.
* Cabe resistir às circunstâncias, quando necessário, ou mesmo desafiá-las frontalmente em alguns casos. Mas na média das situações vale mais aproveitar as circunstâncias, mesmo quando são desconfortáveis. É oportuno tirar proveito delas. Alunos atentos são capazes de aprender com tudo e qualquer coisa.
* Não há necessidade de dizer “amém” às numerosas formas de decadência ética que nos rodeiam.
* Ao contrário. Mais vale dizer “sim” ao que há de mais nobre em nossa própria consciência, e identificar e abandonar a ignorância socialmente organizada, assim como o consenso estabelecido do abandono da ética e outras pérolas da tolice tecnocêntrica moderna.
* O pesadelo do egocentrismo é passageiro. Não há poder mais forte que o poder da boa vontade. Desde que existe, a humanidade é ocultamente guiada por grandes sábios e pela lei da fraternidade, e caminhamos no século 21 para um contato mais consciente com as inteligências divinas presentes em nossas almas.
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O artigo “Ideias ao Longo do Caminho – 73” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 08 de julho 2026. Uma versão inicial e anônima dele pode ser vista na edição de agosto de 2021 de “O Teosofista”, pp. 7-8.
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Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos do autor.
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.
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